Volta à tona a discussão sobre o transporte hidroviário de passageiros na Baixada Santista. Aproveitar os rios da região para circular entre uma cidade e outra está nos planos de prefeitos locais, em conjunto com o Governo Estadual.
Reportagem da colega Alcione Herzog, de 'A Tribuna', que percorreu 50 quilômetros de rios juntamente com os repórteres-fotográficos Alberto Marques e Irandy Ribas, mostra que, em 2010, a Codesp (estatal que administra o Porto de Santos) havia apresentado um relatório sobre o assunto.
Mas, agora, o Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb) planeja gastar R$ 1,5 milhão na contratação de um estudo para saber se um sistema hidroviário de transporte seria viável.
Caso saia do papel e da maneira adequada, ótimo. Depender do monopolizado transporte coletivo por ônibus nesta região é um desastre. No entanto, coisas assim mostram como os governos demoram para tomar providências em favor das pessoas.
"O que impede a Prefeitura (de Santos) de utilizar as águas territoriais do Canal de Bertioga? Cada vez que o prefeito passa pelo Guarujá para alcançar Bertioga, está demonstrando que não há continuidade territorial", dizia o ex-prefeito cassado Esmeraldo Tarquínio, em 13 de março de 1979 -- há 33 anos --, no dia em que recuperou seus direitos políticos.
'A Tribuna' também tem editoriais sobre o problema da habitação popular no Dique da Vila Gilda (de 1965) e a tão sonhada ligação entre Santos e Guarujá (de 1963).
E, hoje, também no jornal, há uma frase do atual presidente do Condesb, Paulo Wiazowski Filho (DEM), pela qual "o 'boom' imobiliário em Santos vai respingar nos outros municípios. Temos que pensar a região como um todo". Se só agora ele se deu conta disso, é pena: faz seis anos que a explosão imobiliária de médio e alto padrões vem afetando a região irremediavelmente.
Dá para entender por que se duvida tanto das boas intenções manifestadas por políticos?
segunda-feira, 19 de março de 2012
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Criminalidade: alguma dúvida?
Agora pela manhã (terça-feira, 28/2), prefeitos e representantes do Governo Estadual reúnem-se no encontro mensal do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb). Elegerão novo presidente para o órgão, que deve ser o chefe do Executivo de Mongaguá, Paulo Wiazowski Filho (DEM).
Se tiverem lido 'A Tribuna' antes de ir à reunião, poderão eleger como novo tema realmente prioritário a questão da segurança pública. Reportagem de minha autoria, com colaboração da colega Tatiane Calixto (que reuniu os dados) e publicada na edição desta terça-feira, mostra que os bandidos começaram o ano mais violentos do que em janeiro do ano passado.
Houve menos furtos (subtração de bens sem violência contra a vítima), mas cresceu o número de roubos (modalidade de assalto com ameaças ou agressão). Em apenas duas cidades caiu a quantidade de ações à mão armada: Peruíbe e Santos. Mas, nesta última, nota-se o curioso fato de que a criminalidade migrou -- queda significativa no Gonzaga, aumento na Zona Noroeste, conforme dados oficiais.
As ocorrências de furtos e roubos de veículos, também decrescentes em Santos, ampliaram-se da linha da máquina para trás. Enquanto as regiões da Ponta da Praia e do Gonzaga, na orla, sofreram menos com os ladrões de carros e motos, o Jabaquara (onde está o 2º Distrito Policial) tornou-se campeão de ocorrências no primeiro mês deste ano.
As regiões santistas distantes da orla são apenas um dos problemas em segurança que as autoridades devem enfrentar. O outro está em cidades geralmente apinhadas de turistas no verão e que, independentemente da população flutuante (a que se estabelece nas cidades em períodos de temporada), tiveram elevação expressiva na quantidade de habitantes.
Praia Grande é o exemplo mais evidente. O total de moradores subiu quase 35% em apenas dez anos, segundo o Censo. E, apenas entre janeiro de 2011 e janeiro deste ano, teve o maior número de assaltos entre os municípios da Baixada (550). Mais: a quantidade de ocorrências saltou 55,2%, na comparação desses dois meses.
Tudo isso põe no chão qualquer alegado planejamento estratégico contra a criminalidade. O Condesb nunca discutiu isso com a rapidez e a intensidade desejáveis e necessárias. Mas há esperança: este é um ano eleitoral, em que todos estão dispostos a trabalhar. Só que, em 2013, ocorrerá a posse dos eleitos e, aí, meses para botar a casa em ordem. Bom para a bandidagem.
Se tiverem lido 'A Tribuna' antes de ir à reunião, poderão eleger como novo tema realmente prioritário a questão da segurança pública. Reportagem de minha autoria, com colaboração da colega Tatiane Calixto (que reuniu os dados) e publicada na edição desta terça-feira, mostra que os bandidos começaram o ano mais violentos do que em janeiro do ano passado.
Houve menos furtos (subtração de bens sem violência contra a vítima), mas cresceu o número de roubos (modalidade de assalto com ameaças ou agressão). Em apenas duas cidades caiu a quantidade de ações à mão armada: Peruíbe e Santos. Mas, nesta última, nota-se o curioso fato de que a criminalidade migrou -- queda significativa no Gonzaga, aumento na Zona Noroeste, conforme dados oficiais.
As ocorrências de furtos e roubos de veículos, também decrescentes em Santos, ampliaram-se da linha da máquina para trás. Enquanto as regiões da Ponta da Praia e do Gonzaga, na orla, sofreram menos com os ladrões de carros e motos, o Jabaquara (onde está o 2º Distrito Policial) tornou-se campeão de ocorrências no primeiro mês deste ano.
As regiões santistas distantes da orla são apenas um dos problemas em segurança que as autoridades devem enfrentar. O outro está em cidades geralmente apinhadas de turistas no verão e que, independentemente da população flutuante (a que se estabelece nas cidades em períodos de temporada), tiveram elevação expressiva na quantidade de habitantes.
Praia Grande é o exemplo mais evidente. O total de moradores subiu quase 35% em apenas dez anos, segundo o Censo. E, apenas entre janeiro de 2011 e janeiro deste ano, teve o maior número de assaltos entre os municípios da Baixada (550). Mais: a quantidade de ocorrências saltou 55,2%, na comparação desses dois meses.
Tudo isso põe no chão qualquer alegado planejamento estratégico contra a criminalidade. O Condesb nunca discutiu isso com a rapidez e a intensidade desejáveis e necessárias. Mas há esperança: este é um ano eleitoral, em que todos estão dispostos a trabalhar. Só que, em 2013, ocorrerá a posse dos eleitos e, aí, meses para botar a casa em ordem. Bom para a bandidagem.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Profissão "de risco"
Gosto de automobilismo. Tenho lido que o piloto Rubens Barrichello, sem chances na Fórmula 1 após 19 temporadas disputadas, está com um pé na Indy. Mas enfrenta oposição da esposa: correr em circuitos ovais é mais arriscado do que em pistas comuns, porque é 'pé embaixo' o tempo todo.
Dezenas de pilotos já morreram em ação. Mas, no fundo, todos estamos sujeitos a riscos em qualquer profissão. Que o digam os Repórteres sem Fronteiras, todos os anos às voltas com o assassinato de jornalistas em quaisquer cantos do mundo -- no Brasil, inclusive.
Não se discute que algumas profissões são potencialmente mais perigosas do que outras: funcionários em plataformas de petróleo situadas em alto-mar podem ser vítimas de incêndios e afundar a qualquer momento; estivadores vivem muito perto de ser atingidos por sacas que despencam de guindastes e cair no porão de um navio.
Mas sou jornalista. E o risco está onde menos se imagina. Sabe qual o único lugar de onde fui expulso por tentar fazer uma reportagem? Uma igreja!
Há anos, o templo da Renascer (que era frequentada pelo jogador de futebol Kaká), em São Paulo, desabou. Fui pautado para procurar pelos responsáveis do templo em Santos (um antigo cinema, no José Menino), a fim de saber se tudo estava em ordem. Não tive tempo de dizer nada:
-- Eu não quero você aqui! Caia fora! Fora! -- gritava alguém que me parecia ser o pastor, me agarrando pelo braço e me empurrando até o lado de fora do portão.
Antes disso, em maio de 2006, ocorreram os ataques atribuídos ao PCC, facção criminosa que atua de dentro dos presídios paulistas. Num fim de tarde, o comando regional da Polícia Militar concederia uma entrevista coletiva. Seria na sede da PM, teoricamente um dos lugares mais perigosos para se estar, tamanha a ousadia dos bandidos.
Só que o repórter dificilmente se detém para pensar em certos perigos. Fui até lá, ora. Como estava fazendo hora extra, avisei minha esposa de que iria demorar porque estava indo à polícia. Pelo telefone, ela entrou em pânico. Paciência: eu tinha de ir. É meu trabalho.
Já tive revólver apontado em minha direção dentro de favela, tive de explicar a traficantes que não estava fazendo reportagem sobre drogas em meio a palafitas (e era verdade), subi e desci morros sob risco de deslizamento, contrariei orientação política de veículos de comunicação onde trabalhei -- e este último item é um dos mais arriscados à sobrevivência profissional no Jornalismo.
Acho que o risco profissional é maior para quem não está apto a exercer certas tarefas. Talvez eu arrebentasse um carro de corrida na primeira curva. Talvez Barrichello pusesse o lead no último parágrafo. Treinando, a gente se acerta. É que pode não dar tempo.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Oposição clara ou sobrevivência
Passados dez dias da votação favorável às contas do ex-prefeito Beto Mansur (PP) na Câmara de Santos, não se sabe o que o PT de Santos pretende: mostrar com clareza que realmente faz oposição ao grupo político instalado há 16 anos no Palácio José Bonifácio ou tirar da UTI o moribundo senso crítico em relação ao governo municipal.
Esse traço oposicionista está quase morrendo, mesmo, à medida que a executiva municipal petista admite a possibilidade de uma composição -- já no primeiro turno -- com o PMDB do prefeito João Paulo Papa, a quem se opõe até agora, ao menos no plenário do Legislativo. Isso apenas mostra que a legenda está rachada, algo que se pode considerar normal num partido em luta pela sobrevivência.
É o que tem acontecido com o PSDB em nível nacional. Entre os tucanos, falta entendimento e sobram acusações mútuas. O PT de Santos, porém, tem uma vantagem: dispõe de propostas para a minoria necessitada da população santista. Não seriam tão difíceis de concretizar, visto o orçamento bilionário do município -- apesar do qual a administração atual não consegue resolver problemas básicos de saúde e educação.
Mas, voltando ao PT, a indignação dos vereadores Cassandra Nunes e Reinaldo Martins quanto à presença, na Câmara, do suplente Arnaldo Corrêa Neto deverá se multiplicar nesta quinta-feira (16/2). O presidente do Diretório Municipal da sigla, Cecílio Antônio da Rocha Melo, soltou este comunicado:
"O Partido dos Trabalhadores de Santos convida todos os filiados e principalmente seus pré-candidatos a vereador à Câmara Municipal de Santos para participarem, nesta quinta-feira (16 de fevereiro), a partir das 17h55, na sessão da Câmara Municipal, todos vestindo uma camiseta na cor vermelha para demonstrar solidariedade à bancada do Partido dos Trabalhadores, por causa de uma manobra sórdida que envolveu a aprovação das contas do ex-prefeito Beto Mansur, usando, inclusive, o PT".
Note a gravíssima acusação contida na última parte do comunicado: a existência de uma "manobra sórdida" na qual se usou, "inclusive, o PT".
Ela tem a ver com a manifestação divulgada, ainda na semana passada, pelo ex-deputado estadual petista Fausto Figueira, sobre aquela sessão favorável a Mansur:
"A história do PT de Santos sofreu um verdadeiro estupro (...). Por que a primeira suplente ou o segundo se furtaram a substituí-lo? A possibilidade de um grande arranjo (...) exige das lideranças históricas do PT santista, como as deputadas Telma de Souza e Maria Lúcia Prandi, uma manifestação contundente de condenação à traição e de apoio a uma investigação implacável".
Por que, explicitamente, Telma (óbvia prefeiturável) e Prandi (de quem se cogita uma candidatura a Câmara Municipal neste ano)? É uma confissão de que são líderes natas ou a suposição de algo terrível e difícil de provar?
Questões internas à parte, a manifestação programada pelo PT local para a sessão de quinta-feira será inócua. A Mesa Diretora da Câmara já decidiu que cabe a Arnaldo Corrêa Neto permanecer no lugar do afastado Adilson Júnior (PT) até que sua licença termine. Ele já disse que não voltará antes dos 15 dias de licença médica.
Porém, a sessão desta quinta deverá ser a última com a presença do suplente, pois a próxima segunda-feira é de Carnaval. A pretensão de dificultar os trabalhos da Câmara na sessão de quinta, com um protesto para o qual o PT convidou "principalmente seus pré-candidatos a vereador", será antecipar a folia.
Beto Mansur, que mereceu a oposição petista a seu governo, deve estar rindo disso tudo.
Esse traço oposicionista está quase morrendo, mesmo, à medida que a executiva municipal petista admite a possibilidade de uma composição -- já no primeiro turno -- com o PMDB do prefeito João Paulo Papa, a quem se opõe até agora, ao menos no plenário do Legislativo. Isso apenas mostra que a legenda está rachada, algo que se pode considerar normal num partido em luta pela sobrevivência.
É o que tem acontecido com o PSDB em nível nacional. Entre os tucanos, falta entendimento e sobram acusações mútuas. O PT de Santos, porém, tem uma vantagem: dispõe de propostas para a minoria necessitada da população santista. Não seriam tão difíceis de concretizar, visto o orçamento bilionário do município -- apesar do qual a administração atual não consegue resolver problemas básicos de saúde e educação.
Mas, voltando ao PT, a indignação dos vereadores Cassandra Nunes e Reinaldo Martins quanto à presença, na Câmara, do suplente Arnaldo Corrêa Neto deverá se multiplicar nesta quinta-feira (16/2). O presidente do Diretório Municipal da sigla, Cecílio Antônio da Rocha Melo, soltou este comunicado:
"O Partido dos Trabalhadores de Santos convida todos os filiados e principalmente seus pré-candidatos a vereador à Câmara Municipal de Santos para participarem, nesta quinta-feira (16 de fevereiro), a partir das 17h55, na sessão da Câmara Municipal, todos vestindo uma camiseta na cor vermelha para demonstrar solidariedade à bancada do Partido dos Trabalhadores, por causa de uma manobra sórdida que envolveu a aprovação das contas do ex-prefeito Beto Mansur, usando, inclusive, o PT".
Note a gravíssima acusação contida na última parte do comunicado: a existência de uma "manobra sórdida" na qual se usou, "inclusive, o PT".
Ela tem a ver com a manifestação divulgada, ainda na semana passada, pelo ex-deputado estadual petista Fausto Figueira, sobre aquela sessão favorável a Mansur:
"A história do PT de Santos sofreu um verdadeiro estupro (...). Por que a primeira suplente ou o segundo se furtaram a substituí-lo? A possibilidade de um grande arranjo (...) exige das lideranças históricas do PT santista, como as deputadas Telma de Souza e Maria Lúcia Prandi, uma manifestação contundente de condenação à traição e de apoio a uma investigação implacável".
Por que, explicitamente, Telma (óbvia prefeiturável) e Prandi (de quem se cogita uma candidatura a Câmara Municipal neste ano)? É uma confissão de que são líderes natas ou a suposição de algo terrível e difícil de provar?
Questões internas à parte, a manifestação programada pelo PT local para a sessão de quinta-feira será inócua. A Mesa Diretora da Câmara já decidiu que cabe a Arnaldo Corrêa Neto permanecer no lugar do afastado Adilson Júnior (PT) até que sua licença termine. Ele já disse que não voltará antes dos 15 dias de licença médica.
Porém, a sessão desta quinta deverá ser a última com a presença do suplente, pois a próxima segunda-feira é de Carnaval. A pretensão de dificultar os trabalhos da Câmara na sessão de quinta, com um protesto para o qual o PT convidou "principalmente seus pré-candidatos a vereador", será antecipar a folia.
Beto Mansur, que mereceu a oposição petista a seu governo, deve estar rindo disso tudo.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
O fiel da balança?
Um antigo e atuante companheiro de jornada do deputado federal e ex-prefeito de Santos Beto Mansur (PP) me telefonou na tarde desta quinta-feira. Discordou parcialmente da última postagem no blog, na qual se comentava a rejeição, pela Câmara de Santos, do parecer no qual o Tribunal de Contas do Estado (TCE) propôs a reprovação das contas municipais de 2003, quando Mansur comandava a cidade. Entende que não apenas Mansur sairá ganhando com a decisão de segunda-feira passada, tomada por 13 votos contra quatro.
Sob condição de anonimato, esse relevante apoiador do parlamentar fez considerações que deverão ser negadas ou rebatidas pelos grupos e políticos que mencionou:
1. O PT, que esperneia contra o suplente Arnaldo Corrêa Neto por ter desobedecido à orientação do partido para manter rejeitadas as contas do ex-prefeito e avisou que apelará à Justiça para anular a sessão legislativa, estaria comemorando a situação nos bastidores. Por quê? “Interessa a eles que o Beto concorra porque isso divide a direita. Senão, o Paulo Alexandre (Barbosa, secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico e pré-candidato do PSDB à Prefeitura) concorreria sozinho”.
(Um parêntese: o auxiliar do deputado parece desconsiderar a anunciada participação do secretário municipal de Assuntos Portuários e Marítimos, Sérgio Aquino, do PMDB, como concorrente governista à sucessão do prefeito João Paulo Papa -- a propósito, ex-vice de Mansur e que o tem sucedido, desde 2005, no Palácio José Bonifácio.)
2. O mesmo vale para o PSB, cujo diretório municipal está disposto a punir o vereador Valdir Nahora por ter ignorado a ordem socialista, igual à do PT. Sem a “divisão da direita”, em tese, o pré-candidato Fábio Alexandre Nunes, o Professor Fabião, hoje titular da pasta do Meio Ambiente, teria dificuldades em se firmar como candidato à Prefeitura.
3. O PSDB liberou sua bancada para fazer o que quisesse. Os vereadores Arlindo Barros, Hugo Duppre e José Lascane estiveram com Mansur; Sadao Nakai, contra. “Quem é o mais próximo do Paulo Alexandre?”, pergunta, deixando implícito, nessa indagação, o nome de Nakai.
4. De volta ao PT, o auxiliar de Beto Mansur entende que o suplente Arnaldo Corrêa Neto não será substituído. Não porque o partido não o pretenda, mas por causa do texto da Resolução número 1, da Mesa Diretora da Câmara, concedendo ao titular, Adilson Júnior (PT), 15 dias de licença médica e convocando, em seu lugar, Corrêa Neto. Explicando melhor: em tese, a convocação desse suplente específico seria válida até o fim do afastamento de Adilson, impedindo o PT de chamar os suplentes que estão acima de Corrêa – Roselaine Laurino Augusto (que declinou da convocação) ou Cecílio Antônio da Rocha Melo (presidente local do PT, que, no dia da votação-surpresa do parecer do TCE, fazia exames para uma cirurgia).
São pontos de vista de uma parte bem interessada, dos quais fica o registro.
Qual é? -- Na mesma semana em que a Câmara foi alvo da polêmica que abriu caminho para a candidatura de Beto Mansur à sucessão, o PMDB reuniu sete partidos aliados para anunciar um compromisso de apoio ao prefeiturável Sérgio Aquino: PC do B, PDT, PMN, PRP, PV e os novatos PPL e PSD.
Acertadamente, Aquino não participou do encontro, na sede peemedebista. Poderia representar propaganda eleitoral antecipada (como se não fosse isso o que fez a coligação informal firmada nesta quinta-feira), num tempo em que ninguém parece estar preocupado com isso.
Porém, não deu para entender a declaração do presidente do PMDB, Sidney Costa Gaspar, de que “a intenção não é formar uma aliança partidária para distribuir cargos, mas construir um projeto político sem medo de discutir uma nova proposta política para a cidade”.
Se o grupo político que apoia Aquino está no governo há 16 anos, qual tem sido a “proposta política para a cidade”?
Sob condição de anonimato, esse relevante apoiador do parlamentar fez considerações que deverão ser negadas ou rebatidas pelos grupos e políticos que mencionou:
1. O PT, que esperneia contra o suplente Arnaldo Corrêa Neto por ter desobedecido à orientação do partido para manter rejeitadas as contas do ex-prefeito e avisou que apelará à Justiça para anular a sessão legislativa, estaria comemorando a situação nos bastidores. Por quê? “Interessa a eles que o Beto concorra porque isso divide a direita. Senão, o Paulo Alexandre (Barbosa, secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico e pré-candidato do PSDB à Prefeitura) concorreria sozinho”.
(Um parêntese: o auxiliar do deputado parece desconsiderar a anunciada participação do secretário municipal de Assuntos Portuários e Marítimos, Sérgio Aquino, do PMDB, como concorrente governista à sucessão do prefeito João Paulo Papa -- a propósito, ex-vice de Mansur e que o tem sucedido, desde 2005, no Palácio José Bonifácio.)
2. O mesmo vale para o PSB, cujo diretório municipal está disposto a punir o vereador Valdir Nahora por ter ignorado a ordem socialista, igual à do PT. Sem a “divisão da direita”, em tese, o pré-candidato Fábio Alexandre Nunes, o Professor Fabião, hoje titular da pasta do Meio Ambiente, teria dificuldades em se firmar como candidato à Prefeitura.
3. O PSDB liberou sua bancada para fazer o que quisesse. Os vereadores Arlindo Barros, Hugo Duppre e José Lascane estiveram com Mansur; Sadao Nakai, contra. “Quem é o mais próximo do Paulo Alexandre?”, pergunta, deixando implícito, nessa indagação, o nome de Nakai.
4. De volta ao PT, o auxiliar de Beto Mansur entende que o suplente Arnaldo Corrêa Neto não será substituído. Não porque o partido não o pretenda, mas por causa do texto da Resolução número 1, da Mesa Diretora da Câmara, concedendo ao titular, Adilson Júnior (PT), 15 dias de licença médica e convocando, em seu lugar, Corrêa Neto. Explicando melhor: em tese, a convocação desse suplente específico seria válida até o fim do afastamento de Adilson, impedindo o PT de chamar os suplentes que estão acima de Corrêa – Roselaine Laurino Augusto (que declinou da convocação) ou Cecílio Antônio da Rocha Melo (presidente local do PT, que, no dia da votação-surpresa do parecer do TCE, fazia exames para uma cirurgia).
São pontos de vista de uma parte bem interessada, dos quais fica o registro.
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Qual é? -- Na mesma semana em que a Câmara foi alvo da polêmica que abriu caminho para a candidatura de Beto Mansur à sucessão, o PMDB reuniu sete partidos aliados para anunciar um compromisso de apoio ao prefeiturável Sérgio Aquino: PC do B, PDT, PMN, PRP, PV e os novatos PPL e PSD.
Acertadamente, Aquino não participou do encontro, na sede peemedebista. Poderia representar propaganda eleitoral antecipada (como se não fosse isso o que fez a coligação informal firmada nesta quinta-feira), num tempo em que ninguém parece estar preocupado com isso.
Porém, não deu para entender a declaração do presidente do PMDB, Sidney Costa Gaspar, de que “a intenção não é formar uma aliança partidária para distribuir cargos, mas construir um projeto político sem medo de discutir uma nova proposta política para a cidade”.
Se o grupo político que apoia Aquino está no governo há 16 anos, qual tem sido a “proposta política para a cidade”?
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Caminho livre para Mansur
Duas coisas em que é difícil acreditar, mas ainda existem: cor partidária e coincidências.
O PT santista está em polvorosa (lembra-se dessa expressão?) porque o quarto suplente da coligação PT/PT do B na eleição de 2008, Arnaldo Corrêa Neto, assumiu o cargo nesta segunda-feira, 6/2. E, no primeiro dia de vida parlamentar, cometeu nada mais, nada menos do que a proeza de votar favoravelmente ao arqui-inimigo do partido na cidade, o ex-prefeito Beto Mansur (PP).
Por 13 votos a quatro, a Câmara rejeitou um parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE) recomendando a reprovação das contas de Mansur em 2003, penúltimo ano de seu segundo mandato. Era o resultado de que ele precisava para disputar a Prefeitura neste ano, um desejo que não reprime mais há tempos.
Por que Corrêa Neto assumiu o cargo? Há várias explicações:
1. O vereador Adilson Júnior (PT), funcionário de Beto Mansur na rádio Cultura, informou ter sofrido um acidente justo nesta segunda-feira. Teria sido atropelado por uma bicicleta em São Vicente. Em tese, ignorava que as contas de Mansur seriam votadas nesse dia, pois o assunto foi incluído de forma inesperada (ao menos, até o meio da tarde de segunda) na ordem do dia pelo presidente da Câmara, Manoel Constantino (PMDB);
2. Reinaldo Martins, primeiro suplente, exerce o mandato desde que Telma de Souza deixou a Câmara para tomar posse como deputada estadual, em 2011;
3. Roselaine Laurino Augusto, a professora Rose, segunda suplente, está trabalhando no gabinete de Martins e não quis assumir a função;
4. O presidente municipal do PT, Cecílio Antônio da Rocha Melo, alegou estar se recuperando de uma cirurgia;
Sobrou para o quarto suplente, Corrêa Neto, que obtivera 504 votos em 2008.
Agora, diante da colaboração decisiva para que Mansur tenha caminho livre para tentar voltar a ser prefeito, a vereadora Cassandra Maroni Nunes (PT) -- a voz mais forte da oposição ao governo anterior e ao atual -- informou, ainda no plenário, que o presidente do PT pedirá a expulsão de Corrêa Neto do partido.
Talvez seja um trabalho desnecessário. Quem tiver paciência para consultar este link, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), verá que Arnaldo Corrêa Neto não está mais filiado ao PT (a não ser que tenha retornado depois de 19 de outubro do ano passado, data em que a relação disponível foi fechada).
E quem ler este outro, mais simples, descobrirá que o vereador por pelo menos um dia já havia se transferido ao PTB, pelo qual concorreu, sem sucesso, à Assembleia Legislativa em 2010. Também não consta mais da lista de filiados a essa legenda.
Dois toques -- O vereador Valdir Nahora (PSB) também votou em defesa de Mansur. Este tem mandato garantido, ao menos, até o fim de março, quando o titular -- Fábio Alexandre Nunes, o Professor Fabião -- deverá deixar a Secretaria Municipal do Meio Ambiente para, também, disputar a Prefeitura. Nahora, portanto, também atrapalhou seu partido.
Destaque, ainda, para um vereador que passou despercebido no tumulto desta segunda: Odair Gonzalez (PR). Ele também deu voto favorável a Beto Mansur que, em tese, será seu adversário -- Gonzalez já disse que pretende tentar o Executivo. Ou Gonzalez tem apurado senso de justiça ou também sente saudades do ex-prefeito, de quem foi líder na Câmara.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Não somos os melhores
Não tenho vocação para o provincianismo. Talvez alguém pense que não gosto daqui, que sou 'ingrato' com a cidade onde nasci e venho construindo minha vida e a de minha família.
Mas, se Santos não for incluída como destino recomendado pelo Ministério do Turismo para a Copa do Mundo de 2014, não lamentarei um só minuto a possibilidade de que essa decisão seja tomada.
Para receber muito mais visitantes do que costuma, o município precisaria de mais estrutura: novos hotéis, melhores acessos, trânsito fluente (com opções viáveis em horários de pico), mão de obra qualificada, um aeroporto próximo.
E nada disso acontecerá antes de 2014. Mesmo que o mundial de futebol fosse em 2018, não creio que Santos e região estivessem preparadas, até lá, para receber parte de um acontecimento com tamanha magnitude.
Dizer por que Santos ainda não merece plenamente ser objeto de tanta atenção do Governo é chover no molhado: desde 1919, fala-se na construção de um aeroporto regional; o primeiro esboço de uma ponte entre Santos e Guarujá foi apresentado em 1927; o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) é ideia de 13 anos.
Temos alguma dessas coisas?
Até aqui, a Baixada Santista é como alguém a quem se deram inúmeras oportunidades na vida; porém, preguiçoso e incompetente, jogou-as todas fora. Ainda pode tomar jeito. Do contrário, dane-se: não há por que ter pena.
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